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- Pedagoga, Matemática, Mãe, Gestora da Escola Antônio Bahia-Conceição do Coité, Petista por enquanto, Amo LULA, luto por justiça, igualdade, odeio qualquer tipo de calúnia, discriminação ou preconceito. E vou vivendo... Música, poesia, livros, arte, cultura, internet, política e educação são minhas diversões. No mais o mundo é uma caixinha de surpresas, é só querer descobrir!
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Altamiro Borges: A mídia e os temas nacionais
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Professor Danilo-Vereador: DANILO: A MINHA HISTÓRIA DIZ QUEM SOU EU
domingo, 12 de junho de 2011
Blog Luz e Vida: O BEM QUE SE FAZ
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Artigo aborda o papel estratégico da família como parceira da escola
*Por Antonio Carlos Gomes da Costa
Cresce no âmbito das ações sociais de base, a consciência de que um programa social voltado para a população infanto-juvenil que não tenha um impacto positivo sobre o ano escolar da criança simplesmente não merece existir.
A família, em termos de ator social, foi a grande esquecida na trajetória de ação da maioria dos programas de atendimento à criança e ao adolescente no Brasil. Sua importância e seu papel estratégico ainda não foram suficientemente compreendidos e valorizados.
Para evitar que o conteúdo (combate à repetência) dê origem a uma estratégia de cunho negativo e belicista, entendemos ser fundamental positivar, isto é, mudar o sinal da ação. Para isso, a convocação deve ser para trabalhar e lutar em favor de alguma coisa e, não, contra a repetência.
A causa positiva para a qual a família deve ser convocada a trabalhar e lutar não pode ser outra senão a da criação de condições, que contribuam para que cada criança e cada adolescente, que passem pela escola, tenham sucesso na sala de aula e na vida.
Para que as nossas crianças e adolescentes tenham sucesso na sala de aula e na vida, não basta garantir-lhes uma vaga na escola. É preciso muito mais que isso.
Por isso a nova noção corrente, o novo sentido comum do que seja o direito à educação deve compreender o ingresso, o regresso, a permanência e o sucesso de todas as crianças e adolescentes na escola.
A partir da assimilação do novo conteúdo, abrangência e alcance do direito à educação, cabe aos pais atuar em duas frentes:
1- A participação nos mecanismos de cogestão da escola;
2- A atuação junto aos seus próprios filhos, através do desenvolvimento de atitudes favoráveis ao sucesso escolar das crianças e adolescentes.
A participação dos pais nos mecanismos de cogestão da escola está estreitamente relacionada com:
1- A autonomia da escola e a democratização de sua gestão são metas políticas que devem ser perseguidas com denodo e afinco;
2- Um processo de maturação lenta e difícil. Afinal, não se muda uma cultura organizacional, sedimentada ao longo de séculos, de um dia para outro;
3- A elaboração desse nível de participação depende fundamentalmente do grau de consciência e de engajamento dos pais na busca de ampliação da participação dos cidadãos na formulação e controle das ações do poder público diretamente dirigidas a suas famílias.
Para esclarecer melhor esse quadro, vamos apresentar um esquema compreensivo da tipologia das relações escola-família-comunidade, que nos poderá ser útil, reconhecendo que não existem absolutos nessa relação, isto é, não existe nenhuma escola totalmente integrada com a família e a comunidade, como não existe também nenhuma escola totalmente (des)integrada da família e da comunidade. Em termos de escola pública, estas são situações que podem ser apenas concebidas mentalmente. Não fazem parte do mundo real.
Na vida real, não existem os extremos da integração e da (des)integração totais. Existe um conjunto de situações intermediárias, que podem assumir as mais diversas configurações, em termos de natureza e de grau. Sem pretender nem de longe esgotar essas possibilidades, vamos elencar algumas delas:
Tipo 1: Trata-se de uma relação burocrático-formal. Os pais matriculam seus filhos, pedem transferência, são chamados para receber reclamações ou convocados para alguma atividade regimental. As autoridades locais, vez por outra, são convidadas a participar de alguma cerimônia em ocasiões especiais;
Tipo 2: Trata-se de uma relação de natureza tutelar. Os pais são vistos pela escola como uma extensão dos seus filhos, isto é, também como educandos. São alvo pela escola de um trabalho constante de informação, esclarecimento, motivação, orientação, de modo a se tornarem mais cooperativos no processo de educação escolar de seus filhos;
Tipo 3: Trata-se de uma relação pragmático-utilitária. A escola vê na comunidade e nas famílias fontes de bens e serviços destinados a suprir suas deficiências e necessidades. Pais e lideranças comunitárias são envolvidos em mutirões, campanhas, quermesses e promoções de todo tipo, visando melhorar as condições de funcionamento da escola.
Tipo 4: Trata-se de uma relação plenamente participativa. Os pais são chamados a compartilhar decisões e responsabilidades com os educadores da equipe escolar, atuando de maneira (co)operativa no encaminhamento de solução para os problemas levantados.
Cada um desses tipos, ao invés de excluir, inclui e ultrapassa os anteriores. Na verdade, esses quatro tipos não esgotam as possibilidades existentes. Na vida real essa relação pode assumir as mais diversas configurações, ficando sempre, porém, situada em algum ponto dessa escala.
Enquanto a vertente da participação dos pais nos mecanismos de cogestão da escola exige uma consciência e um engajamento como cidadãos por parte dos pais, o enfoque desenvolvimento de atitudes favoráveis ao sucesso escolar dos filhos exige única e tão somente amor materno e paterno.
De fato, participar nos mecanismos de co-gestão escolar historicamente tem sido uma tarefa realizada por uma fração reduzida, porém, mais sensível, consciente e comprometida dos pais, que se dispõem a protagonizar esse papel, enquanto a grande maioria atua tão somente como coadjuvante ou mero espectador.
Já o desenvolvimento de atitudes favoráveis ao sucesso escolar dos filhos, não depende do grau de consciência cidadã e de engajamento político-social dos pais, mas, fundamentalmente, do amor pelos filhos e do desejo natural e irreprimível de que eles tenham sucesso na sala de aula e na vida. Trata-se, pois, de uma iniciativa de educação familiar, visando a melhoria do desempenho escolar de nossas crianças e adolescentes.
O valor profundo de uma iniciativa deste tipo reside no fato de ela levar a luta por educação de qualidade para todos ao cerne mais precioso e recôndito da vida familiar: o amor dos pais pelos filhos.
Mais do que uma racionalidade ética, econômica e político-social, o que passará a pulsar na raiz das iniciativas por mais e melhor educação no Brasil será o amor de cada pai e de cada mãe do Brasil por seus filhos e filhas.
O compromisso ético, a vontade política, a adesão dos diversos segmentos da sociedade, a motivação dos professores, técnicos, diretores e funcionários das escolas, o envolvimento dos alunos e a participação das famílias constituem um conjunto de fatores subjetivos capaz de influenciar construtivamente numa profunda mudança no modo de ver, sentir e cuidar da educação.
Mas, afinal, o que são as tão faladas atitudes favoráveis ao sucesso das crianças na sala de aula e na vida?
São um conjunto de iniciativas e reações que, por palavras, gestos, olhares, observações, sorrisos, conselhos e outras formas de expressão, possibilitem aos pais, tios, avós, padrinhos e amigos fornecer às crianças e adolescentes elementos capazes de permitir-lhes estabelecer uma relação positiva, harmoniosa e saudável com a escola, através da assimilação profunda do seu significado para a realização do seu querer-ser.
Em palavras mais simples, são uma forma de relacionamento que prepare a criança e o adolescente para encarar a escola com mais confiança e menos medo de enfrentar e vencer os desafios que ela introduz em seu dia a dia.
A título de ilustração, vamos elencar 10 atitudes dos pais que favorecem o sucesso dos filhos na sala de aula e na vida.
1- Fale sempre bem da escola. Procure criar em seu filho uma expectativa positiva em relação à vida escolar.
2- Quando seu filho estiver de saída para a escola, abrace-o, deseje-lhe coisas boas, que ele aprenda, que faça amigos, que tenha sucesso.
3- Quando seu filho chegar procure saber como foi o dia, o que ele aprendeu, como foi com a professora, com os colegas, com outras pessoas da escola.
4- Procure conhecer a professora de seu filho e, se julgar necessário, passe-lhe alguma informação sobre a criança que você julgue importante que ela saiba.
5- Se seu filho teve nota baixa, não espere ser chamado. Vá você mesmo à escola e procure saber o que está acontecendo.
6- Procure manter com a professora de seu filho uma relação de respeito, consideração, solidariedade e carinho.
7- Procure resolver os problemas entre você, seu filho e a professora. Somente em último caso, recorra a outras pessoas.
8- Crie o hábito de verificar os cadernos de seu filho. Elogie, nunca esqueça de elogiar tudo aquilo que você encontrar de positivo.
9- Quando seu filho estiver indo mal, procure saber o que está acontecendo, localize onde está a dificuldade, compartilhe o problema com a escola. Não se omita. Não seja juiz. Seja solidário.
10- Comente com seu marido ou esposa, com tios ou avós, os êxitos escolares por menores que sejam do seu filho, a fim de que todos possam congratular-se com ele e reforçar sua auto-estima, seu auto-conceito, sua autoconfiança.
O desenvolvimento pelos pais de atitudes que favoreçam o sucesso escolar dos filhos satisfaz:
1- Nos pais, a necessidade de auto-realização. Trata-se, na verdade, de colocar ao alcance de todos os pais algo muito simples, concreto e objetivo, que cada pai ou mãe pode fazer em favor de seu filho e, com isso, contribuir decisivamente no rumo de sua vida.
2- Nos filhos, duas ordens de necessidades são satisfeitas pelo desenvolvimento dessas atitudes por parte dos seus pais: a necessidade de estima (ser compreendido e aceito) e a necessidade de auto-realização (realizar, nessa etapa de seu desenvolvimento, o sentido de sua vida).
Assim como fazer pré-natal, vacinar, acompanhar o crescimento e o peso, dar soro caseiro, água limpa e aleitamento materno contribuem decisivamente para a sobrevivência da criança, as atitudes maternas e paternas, que favorecem o sucesso da criança na sala de aula e na vida, contribuem decisivamente para o seu desenvolvimento como pessoa e como cidadão.
Finalmente, para concluir, é sempre bom lembrar que a família é a base de tudo. Se a família muda, muda a escola, muda a comunidade, muda o município, muda o estado, muda o país.
Neste final de século e de milênio, mais do que nunca, o Brasil precisa acreditar e investir no binômio escola-família, para que possamos entrar de cabeça erguida no século XXI.
*Antonio Carlos Gomes da Costa era educador e autor de diversos livros. Através de sua empresa, a Modus Faciendi (www.modusfaciendi.com.br), com sede em Belo Horizonte, MG, prestou consultoria a diversas instituições do Terceiro Setor, entra as quais o Instituto Ayrton Senna, do qual foi o principal consultor
Fonte: Site HTTP://4pilares.net
Aniversário da Escola Antônio Bahia- 82 anos
domingo, 1 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Brasileiros desconhecem o papel do Conselho Escolar, indica pesquisa
Os conselhos escolares foram criados para que a gestão das instituições públicas de educação básica fosse mais democrática e contasse com a ajuda da comunidade, mas não é essa a situação em grande parte das escolas brasileiras.
Segundo o Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), divulgado neste ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 71% da população desconhece o papel dos conselhos. A falta de informação atinge principalmente pais com baixa escolaridade e mais de 55 anos de idade, universo onde a desinformação chega a 80%. O Ipea ouviu 2.773 pessoas em todo o Brasil no final de 2010.
Para o professor Angelo Ricardo Souza, do Núcleo de Políticas, Gestão e Financiamento da Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a causa está essencialmente no fato de os instrumentos de gestão democrática ainda serem recentes no país e a população não estar acostumada a participar.
“A prática do conselho escolar tem 15 anos, o que é muito pouco tempo para termos uma atuação efetiva. Sem contar que não existe divulgação suficiente nem conscientização dos pais de que sua participação é fundamental para o andamento da escola”, explica.
Parceria
A participação pouco expressiva também pode ser explicada pela falta de tempo dos pais. Além de a maioria trabalhar em tempo integral, Souza explica que ainda existe o entendimento de que educação é papel exclusivo dos professores. Por esse motivo, a discussão sobre os assuntos financeiros, administrativos e pedagógicos da escola não faz parte da lista de interesses da família.
No Paraná, por exemplo, das 2.164 escolas estaduais, 80% têm conselhos ativos, mas isso não significa que eles funcionem como deveriam.
Souza explica que na prática esses organismos estão mais ligados ao trabalho administrativo e financeiro do que ao pedagógico, embora 94% das pessoas que disseram saber da existência do conselho afirmem que a função pedagógica é a mais importante.
Na maioria das vezes, os participantes decidem sobre reformas na estrutura física da escola ou problemas que rondam os arredores da instituição, como segurança.
Segundo a pesquisa, 91% das pessoas veem na fiscalização da aplicação dos recursos financeiros o maior papel do conselho. “Como também faz parte do trabalho manejar os recursos, os conselheiros acabam se envolvendo com isso em primeiro plano e deixam de lado as discussões sobre o ensino”, diz Souza.
Na escola Algacyr Munhoz Maeder, as ações do conselho seguem essa linha. Segundo a diretora, Yasodara Collyer de Magalhães, as últimas decisões foram sobre a limpeza e pintura dos muros pichados, assim como questões sobre indisciplina.
“Mesmo assim é muito difícil trazer a família para a escola. A única época do ano em que vejo os pais vindo aqui e realmente interessados é durante a rematrícula”, conta.
Para estimular a participação da população, a superintendente da Secretaria Estadual de Educação (Seed), Merougy Cavet, diz que ainda para o primeiro semestre estão previstas ações para que a comunidade entenda a importância de participar da escola.
“Hoje os boletins bimestrais são on-line, mas vamos voltar a fazer de papel, para que os pais se obriguem a ir até a instituição e a se integrar mais com o colégio”, afirma.
Interesse
Mesmo com o pequeno interesse geral pelos assuntos escolares, existem pais que procuram espontaneamente a instituição para ajudar. Desses, 91% sabem da importância do papel do conselho para a comunidade, segundo a pesquisa do Ipea.
O músico Ronaldo Guilherme Tavares tem dois filhos na escola Algacyr Munhoz Maeder, onde estudam há seis anos. Desde o começo ele se dispôs a conhecer o funcionamento da instituição, até ser convidado pela diretora para integrar o conselho.
“Vi no conselho a chance de levar as demandas da comunidade para a escola, mas também de ficar mais próximo da vida escolar dos meus filhos”, afirma.
Tavares gostou tanto do contato direto com a escola que resolveu fazer mais. Entrou no projeto Escola Aberta, que leva a comunidade a desenvolver atividades com os alunos nos fins de semana, e passou a dar aulas de violão para a garotada.
Pelo menos duas vezes por semana ele permanece no colégio. “A maioria dos pais que conheço não tem o menor interesse. A alegação é sempre a mesma: falta de tempo”.
Desempenho
A pesquisa do Ipea também aponta relação direta entre funcionamento do conselho e bom desempenho escolar. Nas escolas onde a agremiação é atuante, os indicadores que medem a qualidade do ensino, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), são mais altos.
A Secretaria Estadual de Educação também identificou essa relação, ao lado de outros três itens que fazem uma escola ganhar destaque nos indicadores: um diretor comprometido, uma proposta pedagógica eficiente e pouca rotatividade de professores.
A escola Ângelo Trevisan, que fica no bairro Santa Felicidade, em Curitiba, é um exemplo do bom resultado do trabalho do conselho. Ela está entre as três instituições do Paraná que conseguiram alcançar nota 6 no IDEB na primeira etapa do ensino fundamental, meta prevista para 2021 pelo Ministério da Educação.
Para a diretora do colégio, Antônia Maria Dezan Lobato, o resultado pode ser explicado, entre outros fatores, pela participação dos pais. “Sempre que precisamos, convocamos os conselheiros. Muitos deles, claro, têm suas atividades diárias, mas reservam uma parte do tempo para vir à escola”, conta.
Entre a grande conquista do conselho está a implantação do ensino da língua italiana, que não é obrigatória nas escolas. “O conselho é uma ferramenta insubstituível, até porque o usamos para fazer o que muitas vezes o poder público deveria mas não dá conta”, explica Antônia.
Para Maria Aparecida Bacayoca de Ribeiro, mãe de um estudante e uma das conselheiras da escola, a experiência muda a forma como a família percebe a educação. “Faço parte do conselho há sete anos. Passei a ver que a educação formal do meu filho também depende de mim”, afirma.
Detalhes
Saiba mais sobre o funcionamento dos conselhos de educação:
- O conselho tem a função de decidir sobre três aspectos da escola: administrativo, financeiro e pedagógico;
- O conselho deve ser composto por professores e pedagogos, fu
ncionários, alunos com mais de 16 anos, pais e membros da comunidade;reeleição
- Cada gestão vale por três anos, podendo haver .
Quer saber mais sobre a atuação dos conselhos escolares?
A dica é visitar o site do Ministério da Educação (MEC). Lá é possível encontrar várias informações sobre o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares e saber mais sobre os objetivos e as funções desta agremiação. Há também diversas publicações que abordam o tema, bem como relatos de experiências de escolas que contam com o trabalho dos conselhos. Clique aqui e conheça todos esses detalhes.
Com informações da Gazeta do Povo (PR)
As desigualdades raciais brasileiras | Brasilianas.Org
Da Carta Capital
Que democracia racial é essa?
Rodrigo Martins 20 de abril de 2011 às 18:12h
Apesar da redução das disparidades propiciadas por programas de segurança alimentar, como o Bolsa Família, o abismo que separa brancos e negros no Brasil continua gigantesco. Essa é uma das conclusões do 2º Relatório Anual de Desigualdades Raciais, divulgado na terça-feira 19, pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os indicadores foram compilados a partir de diferentes bases de dados do IBGE, dos ministérios da Saúde e Educação, entre outras instituições públicas. O estudo revela que os afrodescendentes têm menor acesso ao sistema de saúde (uma taxa de não cobertura de 27%, frente aos 14% verificados entre a população branca), a exames ginecológicos preventivos, ao pré-natal e sofrem com uma taxa maior de mortalidade materna.
Por dia, morrem cerca de 2,6 mulheres pretas ou pardas por complicações na gestação, enquanto este mesmo problema acomete 1,5 mulheres brancas. Entre 1986 e 2008, a taxa de fecundidade das afrodescendentes caiu de forma mais acelerada (48,8%) que a das brancas (36,7%). No entanto, as mulheres pretas ou pardas se sujeitam com mais intensidade a procedimentos radicais de contracepção, como as laqueaduras. Quase 30% dessa população em idade fértil estavam esterilizada em 2006, frente a uma taxa de 21,7% das mulheres brancas.
“Ninguém é contra o planejamento familiar. A queda na taxa de natalidade representa uma melhora na qualidade de vida das pessoas. Mas as afrodescendentes poderiam ter acesso a formas menos agressivas de intervenção”, avalia o economista Marcelo Paixão, coordenador do relatório. “A esterilização é uma solução radical demais. É como arrancar um dente para não tratar uma cárie. Por isso, causa preocupação o fato de parte dessa redução da fecundidade estar associada às laqueaduras.”
Nos últimos 20 anos, a média do tempo de estudos dos afrodescendentes acima de 15 anos passou de 3,6 anos para 6,5. Mesmo assim, está muito aquém da população branca, hoje com uma média de 8,3 anos de estudo. Além disso, 45,4% das crianças pretas ou pardas entre 6 e 10 anos estudava na série inadequada em 2008, frente ao percentual do 40,4% dos brancos. Entre as crianças de 11 e 14 anos, o problema é ainda mais grave, pois 62,3% dos afrodescendentes não estudavam na série correta. Entre os jovens brancos, a inadequação atingia 45,7%.
Por outro lado, as famílias pretas ou pardas beneficiadas pelo Bolsa Família conseguiram aumentar a quantidade de alimentos consumidos em proporção superior (75,7%) a das famílias brancas (70,1%). A elevação no consumo de arroz entre os afrodescendentes foi de 68,5%. Brancos: 31,5%. No caso do feijão, o consumo dos pretos e pardos cresceu 68%. Brancos: 32%.
“Apesar de melhorar a segurança alimentar dos afrodescendentes, o que é importantíssimo, em todos os outros setores percebe que a discrepância entre brancos e negros prevalece”, comenta Paixão. “Devido às elevadas taxas de desemprego, rotatividade no mercado de trabalho e informalidade, os pretos e partos tem um acesso bem menor à cobertura da Previdência Social. A diferença chega a dez pontos percentuais na população masculina e 20% entre as mulheres”, completa.
Outro dado que chama a atenção é o baixo índice de condenação por crimes de racismo no Brasil. Entre 2007 e 2008, 66,9% dos casos julgados nos Tribunais de Justiça de todo o País foram vencidas pelos réus e apenas 29,7% das supostas vítimas saíram vitoriosas. Na primeira instância, as vítimas tiveram sua demanda judicial contemplada em 40,5% dos acórdãos.
“Talvez os magistrados ainda acreditem no mito da democracia racial brasileira e, por isso, sejam mais brandos nas condenações e na aplicação das penas”, especula o professor da UFRJ. “Pela lei, o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, mas não tenho notícia de um único racista condenado à prisão no Brasil. Vejo apenas punições pecuniárias, sobretudo indenizações, e pedidos de desculpas formais.”
http://www.cartacapital.com.br/politica/que-democracia-racial-e-essa
